quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Um diálogo
- Oi, quanto tempo! Tudo bem com vc?
Em uma fração de segundo, passa pela cabeça tudo aquilo que acontece, todos os problemas, as angústias, a tristeza, as lágrimas, todas as lágrimas que rolaram pelo rosto durante a noite e continuaram pela manhã, cessando somente agora, que tive que colocar um sorriso no rosto e fingir que estava tudo bem pra encarar o mundo.
Não, não tá tudo bem! Não sei se é depressão, se é só uma tristeza incontrolável ou se perdi mesmo a minha alegria, não sei se tem remédio, não sei! Um dia feliz tem sido cada dia mais raro, a maioria deles são cinzentos e chuvosos, mesmo nesse calor de 36ºC chove dentro de mim, não floresço faz muuito tempo. Então senta aí que vou te contar tudo, quer mesmo saber? Tô com uns problemas na vida, sabe? Aliás, tô com uma vida nos problemas, seria mais certo de se dizer, tá tudo errado e a única coisa que me falta pra eu não ter mais nada, eu tô vendo escorrer entre os meus dedos, posso te contar? Me diz se eu devo correr atrás. Não sei! Não sei até onde isso vai. Não sei se eu quero isso sozinha. Eu preciso conversar, essa granada aqui, ó! Tá vendo? Vai explodir qualquer hora! E todo o resto... familia, trabalho, futuro, financeiro, saúde, amigos, amor. Tudo e nada. Nenhuma conquista. Nenhum grande feito. Tenho a sensação que não vivo mais, apenas existo. E essa dor? Latejante. Tenho um buraco dentro de mim mas não como, não dá. Não cabe.
Mas acho que você não quer saber tudo isso, não é? Tudo bem, eu entendo. Só coloco o sorriso no rosto novamente e respondo com certa animação:
- Verdade, quanto tempo! Tô bem e você?
- Tudo bem, também!
Mas você também não tá, né? Ninguem tá!
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