
A culpa foi minha. Totalmente minha. Minha culpa, minha tão grande culpa. Podia ter me resguardado mais, podia ter aumentado a seletividade, feito exames patológicos, testes psicológicos, avaliações físicas, financeiras, históricos diversos. Mas não, resolvi acreditar. Bem feito, quem mandou ignorar a ciência e acreditar nesse músculo idiota? A gente tem mania de não ouvir as cantigas premonitórias: ‘mamãezinha quando chora, põe a mão no coração’ sempre foi óbvio que era culpa unicamente do coração o sofrimento da pobre mãezinha da cantiga. Não vou culpar mais ninguém, a culpa foi minha, só minha.
Quem ficou sonhando com futuros prometidos, fantasias românticas, alianças, crianças, beijos, abraços, felicidade eterna fui eu. Então porque culpar o destino, o horóscopo ou, imagine só, você!? Quem poderia culpar você? Você fez seu papel. Macho alfa, não é? Seduziu, conquistou, manteve a fêmea à sua espera e então, partiu. Em busca de outra fêmea, afinal a fidelidade poda a masculinidade e a virilidade do macho, né? Tá certo! Vai lá, tem outra fêmea esperando você.. Continue sua jornada, garanhão.
A partir de hoje, sinta-se livre de toda e qualquer culpa. Eu vou continuar por aqui, fazendo meu papel de fêmea burra, sendo enganada novamente, mas acima de tudo acreditando na possibilidade de encontrar não outro macho alfa, mas um homem. Ou talvez me ocupe em viver, encontrar a próxima esquina, encruzilhada, ponte, viaduto, ruela da vida. Esquecer-me por um instante que ‘é impossível ser feliz sozinha’ e simplesmente ser feliz.

Nenhum comentário:
Postar um comentário