Se alguém me lê, é por conta própria e auto-risco..

quarta-feira, 17 de março de 2010

Amor, amizade e outras fronteiras


Dentro do ônibus, com o fone de ouvido quebrado, e o som saindo só no meu ouvido esquerdo. O ônibus tava lotado e uma senhora meio gorda empurrava minha coxa com o joelho, enquanto eu tentava me esquivar de ser afogada nos peitos dela. Não entendo porque as donas dos ônibus lotados acham que os passageiros sentados querem fazer auscuta cardíaca nelas. Enfim... O fonezinho quebrado tocou as 10 mais da rádio, e entre elas ouvi uma letra interessante (sem merchan, juro) a letra dizia: 'hoje eu vou sair pra encontrar o amor, espero a muito tempo e ainda não rolou'.. eu também espero, mas não consegui agendar com a secretária do amor. De qualquer forma achei interessante como o compositor colocou. Quem dera fosse assim. Hoje eu tô de TPM e meu cabelo tá cheio de pontas duplas, então nem vou encontrar o amor. Mas semana que vem estarei bem humorada, farei luzes nos cabelos e talvez uma hidratação, farei desintoxicação alimentar e talvez umas aulinhas de shiatsu.. além disso a previsão é de sol, aí sim meu amor pode aparecer. Nada disso, guria! O amor não marca hora... você pode encontrá-lo num momento perfeito, mas também pode ser naquela hora menos propícia, com os cabelos despenteados, num dia de chuva, com as barras da calça molhadas e o guarda-chuva fazendo contrapeso com a mochila pesada, TPM, mal-humor e olheiras. E mesmo assim os olhos brilham e o coração acelera à vista de uma figura desconhecida, ou talvez conhecida de outras vidas.. mas não quero entrar nesse âmbito agora. E pode acontecer o mais temido, uma amizade virar amor... Eu digo temido porque é medonha a sensação de que aquela criatura que era considerado um irmão, frequenta sua casa há anos e chama seu irmão de cabeção, joga bola com seu pai e te conta todas as traquinagens desde novo, de repente, lhe causa ciúmes, taquicardia, uma saudade avassaladora e a vontade incontrolável de estar perto. Então a gente permanece ali, na alfândega, sem entrar no país desconhecido do sentimento supremo e nem voltar ao país da fraternidade 'ad infinitum' ou até um dos dois se cansar da fronteira. Aí é um caminho sem volta, porque não se toma um só rumo. De qualquer forma, qualquer escolha que seja feita, serão tomados dois caminhos. Ou o caminho da amizade com o ex, ou o caminho do namoro com o amigo. E de uma forma ou de outra, os dois permanecem na alfândega, porém com um dospés de algum dos dois lados... Decisão difícil e instável!
Prefiro mesmo é ter nacionalidade contante com moradia fixa, apesar do fonezinho quebrado!

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