Se alguém me lê, é por conta própria e auto-risco..

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

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Porque quando meus olhos se fecham é a sua imagem que está gravada no escuro do piscar dos meus olhos, e é sua voz que eu ouço quando o mundo se cala no silêncio da minha solidão e é seu cheiro que sinto quando o odor do mundo se torna insuportável aos meus sentido.

Autoria Própria

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Uma pequena explicação



Lembra quando você tava com um problema na sua vida, queria desistir de tudo e eu fui lá, segurei na sua mão e caminhei com você? Caminhei bem devagar, porque é assim mesmo, a gente precisa reconhecer o relevo do chão e os degraus pra ter segurança. E lembra que eu te falei 'se olha com os meus olhos'? Então, vou te explicar o que isso significa. 

Eu sempre amei você por quem você era. Porque você sabe perdoar, sabe sorrir mesmo com o peito machucado. Você é legal, é divertido, é engraçado. Já reparou como você cativa as pessoas? Eu admiro demais isso. Não sei ser assim, sou muito intensa e isso assusta as pessoas. Só você soube lidar com isso. 

Eu não escolhi você pela sua cultura, gosto musical ou por gostar de pizza. E eu não escolhi você porque todas as meninas admiravam seu jeito descolado e divertido e queriam ser a mulher que estava ao seu lado, porque você sempre pareceu ser o homem que qualquer uma queria estar ao lado. Isso faz parte do pacote, mas me apaixonei pelo recheio. Por você! Por quem você é, por trás desse sorriso bobo e desse jeito descontraído. 

Quando eu dizia pra se olhar com meus olhos, queria que você enxergasse isso que me fez apaixonar. Essa luz, essa força, esse jeitinho só seu de fazer qualquer pessoa esquecer os problemas e se entregar em uma brincadeira. Você sabe fazer isso como ninguém. E você passa confiança. Você é forte, é companheiro, é amigo, é lindo e é inteligente. E eu quero que você veja isso em você. Se olhe com os meus olhos e veja porque eu amei você. 

Amei sem você fazer nada, só respirando pesado, só lutando com seu peito angustiado, só perdido, só tentando ficar mesmo não sabendo como.

- Autoria própria -

Finito, simples e triste demais



Eu tô fazendo a dieta da proteína. Sabe como é? Só pode comer carne. É, frango, ovo, peixe.. só proteína. Por isso quero meu coração fritinho, com cebola. É, cebola pode. Quero duas porções que hoje eu vou me fartar e não quero que sobre uma fibra muscular. Nadinha! 
Quando você disse que não estava mais apaixonado eu senti cada fibra dessas se romper. É engraçado como o amor faz doer, mas dói de verdade. Como se tivesse mesmo algo errado com a bomba cardíaca, como se não fosse só um músculo. Mesmo porque, convenhamos, se é esse danado o responsável pelas paixões, eu só tenho algo a dizer: volte para sua função de bombear o sangue, você não é bom nessa coisa de amor!
Mas voltando à minha dieta, então.. eu quero duas porções. Acompanhamento? Não, obrigada. Vai sozinho mesmo, to acostumada. Ah sim, vou beber um Blood Mary. Só pra lembrar o sangue que escorreu quando você arrancou o coração pra fazer essa porção pra mim. 
Obrigada. 
Só assim pra eu ter alguém me oferecendo o coração numa bandeja. Sabe que sou eu sempre desse lado daí? Sempre ali, oferecendo meu coração de bandeja, me entregando pra quem eu achava que queria me amar. Mas nem sempre quer. Mas porque? É porque eu tenho medo de escuro? É porque eu uso pijama feio pra dormir? É porque eu sou egoísta e louca e tenho um dente torto? É porque eu ria de você e ria das suas coisas e ria de nervoso porque eu gostava tanto de você que odiava você? É porque eu não gostava das suas músicas? É porque eu criei sete mil muros pra receber alguém mas queria esmurrar até sangrar o seu único muro como se você também não fosse humano? Ou é só porque é assim mesmo? Assim: finito, simples e triste demais.Não importa mais. 
Hum, então é assim a sensação de devorar um coração? Até que é bom. E o melhor de tudo é que agora não tenho mais. Acabou! Viu coração? Não tenho mais. E sabe quem agradece? Meu cérebro, que vai poder se concentrar na faculdade ao invés de pensar 24hs em alguem. Meu estômago que, finalmente, vai se livrar dessas borboletas que já procriaram ali. Meus olhos, cansados de tantas lágrimas. Seu fanfarrão! Não se cansa de fazer estragos? Finalmente consegui te parar e agora chega dessa coisa de sair batendo igual louco por alguém descontrolando todo o meu ser. Assim mesmo... finito, simples e triste demais. 

Autoria própria

Sem nome


Você precisa fazer alguma coisa, as pessoas dizem. Qualquer coisa, por favor, as pessoas dizem. O que não dá é pra ficar assim. Nem que seja piorar, nem que seja enlouquecer. Olho o rosto das pessoas. Tem os ossos, dai tem a parte de dentro. Tem os olhos e tem o fundo dos olhos. Da boca saem esses sons. De repente alguém encosta em mim. Pra perguntar com o quentinho da mão se estou ouvindo e entendendo. Sorrio e torço pra pessoa ir embora. Torço pra alguém chegar, só pra torcer bem pouquinho por algo. Mas dai a pessoa começa a falar e torço pra pessoa ir embora. Não tem o que fazer, não tem o que dizer, não tem o que sentir. Sou uma ferida fechada. Sou uma hemorragia estancada. Tenho medo de deixar sair uma letra ou um som e, de repente, desmoronar.
Quando toca uma música bonita, minha ironia assovia mais alto. Um assovio sem melodia. Um assovio mecânico mas cuidadoso, como tomar banho ou colocar meias. Outro dia tentei chorar. Outro dia tentei abraçar meu travesseiro. Não acontece nada. Eu não consigo sofrer porque sofrer seria menos do que isso que sinto. Tentei falar. Convidei uma amiga pra jantar e tentei falar. Fiquei rouca, enjoada, até que a voz foi embora. Tentei aceitar o abraço da minha amiga, mas minha mão não conseguiu tocar nas costas dela. Não consigo ficar triste porque ficar triste é menos do que eu estou. Não consigo aceitar nenhum tipo de amor porque nenhum tipo de amor me parece do tamanho do buraco que eu me tornei. Se alguém me abraçar ou me der as mãos, vai cair solitário do outro lado de mim.
Se eu pudesse usar uma metáfora, diria que abriram a janela do meu peito e tudo de bom saiu voando. Eu carrego só uma jaula suja e escura agora. Se eu pudesse usar uma metáfora, eu diria que tiraram as rodinhas dos meus pés. Eu deslizava pelo mundo. Era macio existir. Agora eu piso seco no chão, como um robô que invadiu um planeta que já foi habitado por humanos. Mas eu não posso usar metáforas porque seria drama, seria dor, seria amor, seria poesia, seria uma tentativa de fazer algo. E tudo isso seria menos.
Não briguei mais por você, porque ter você seria muito menos do que ter você. Não te liguei mais, porque ouvir sua voz nunca mais será como ouvir a sua voz. Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome. Não sei o nome porque isso que eu sinto agora chegou antes de eu saber o que é. Acabou antes do verbo. Ficou tudo no passado antes de ser qualquer coisa. Forço um pouco e penso que o nome é morte. Me sinto morta. Sinto o mundo morto. Mas se forço um pouco mais, tentando escrever o mais verdadeiramente possível, percebo que mesmo morte é muito pouco. Eu sem nome você. Eu sem nome nós. Eu sem nome o tempo todo. Eu sem nome profundamente. Eu sem nome pra sempre.
- Tati Bernardi- 

Adaptado


Imagine que tenho uma mala muito pesada com um milhão de moedas de ouro. As alças ficam penduradas no meu pescoço, me forçando a cabeça pra baixo, retesando os músculos do olhar pra frente.
Vez ou outra, uma pessoa da rua passa e tenta me roubar. Mas, por mais que esteja tão pesado e doendo e estragando a minha coluna, luto até a morte pra proteger a tal da mala. Automaticamente me atiro contra o chão, como se protegesse um filho das balas. São terríveis esses quilos centralizados no ponto mais fraco do meu corpo, mas pra violência a gente não entrega nem os fardos.
Dai, também, às vezes, uma pessoa da rua se oferece pra carregar a mala pra mim. Ou pra guardar em sua casa. Ou pra dividir o peso ao estilo “uma mão em cada alça”. Também não consigo entregar meu arqueamento e tamanho para essas pessoas. O amor gentil nunca me conquistou. Gentileza é coisa pra quem nunca será íntimo. Solidariedade é coisa pra campanha política. Felicidade é pra quem se conforma em ficar num lugar só porque está bom.
Mas muito de vez em quando, como aconteceu com a gente, aparece uma pessoa que não me pede nada e pra quem eu tenho vontade de entregar cada moeda da minha mala com um milhão de moedas de ouro. Tome, leve, gaste, use, encha a sua banheira com elas e depois me mande uma foto.
Eu sou uma mendiga ao contrario. Eu ando pelo mundo implorando pra que alguém aceite a minha riqueza. Fico sentada no chão, tocando meu instrumento, com um chapéu imenso e lotado. E a plaquinha “por favor, não me ajude”. Muitas pessoas passam, mas pra poucas me levanto.
Posso ficar horas tentando te explicar. Você tem um redemoinho no alto da cabeça, e é até gostosinho acariciar enquanto você dorme. Você tem uma manchinha nos caninos de cima. Você faz biquinho pra fumar, quando está nervoso. Sua risada é diferente, depende se você tá: zuando alguém, rindo pra não perder a amizade, sendo irônico ou falando de algo/ alguém que você gosta.
Você estava ali, parado, pouco à frente das escadas daquela rodoviária. Você pede perdão pelo seu jeito bobo com a doçura e a sinceridade de uma criança. Você tenta evitar me lembrar que nós terminamos como se eu não lembrasse disso todos os dias.
Eu vejo a palavra “respoder” no meu celular e, só porque tem a letra “R”, a letra mais forte do seu nome, sinto de leve um chutinho atrás dos meus joelhos. Eu poderia ficar horas te explicando por que eu acho que é amor.
Você outro dia fez o exercício contrário. Ficou tentando me explicar por que é amor, mas não dá mais pra ser. Falou do meu jeito louco, incontrolável e insano. E do meu ciúme descontrolado quando eu vejo algum ser do sexo feminino se aproximar de você, sem me importar se ela é jovem, velha, bonita, feia... Você disse que não sabia mais lidar com meu jeito tempestade e que não sabia mais se queria continuar nessa turbulência. Não que preferisse outras garotas, só não queria mais esse furacão louco que atravessou seu caminho. 
Não são por essas coisas que não se ama. Não são por essas coisas que se ama. Essas são apenas as coisas sobre as quais conseguimos falar na nossa ânsia de ocupar a cabeça enquanto nos perdemos dentre todas as coisas sobre as quais não conseguimos falar.
A verdade é que, no meio da multidão, estamos carregando nossas malas pesadas de riquezas e belezas e sentimentos. E uma hora, só porque acontece e não se pode explicar sem parecer ingênuo e arrogante, escolhemos uma pessoa que nos leve.
Eu sei que é amor porque eu te escolhi pra me levar e, mesmo você não tendo aceitado, eu fui.
Eu te vi parado perto da escadinha com a blusa rosa e fui lançada sem tempo de pena. Você não sabe, você não vê, você não quer, você não se importa. Mas, no último segundo do sinal fechado, eu abri a janela do meu carro e joguei a mala com milhões de moedas de ouro.
A mala não te atingiu, caiu meio metro antes do seu último passo. Nem o som do meu peito desmoronado, nem o cheiro do meu amor metalizado, nem a luz da minha devoção dourada. A mala espatifou no meio da avenida caótica pela chuva e pela véspera do feriado. Os famintos, os entediados, os pobre-ninguéns, os todos-os-outros, se engalfinharam pra tirar proveito do amor que, lançado ao homem sem mãos aparentes, agora ficou esparramado, exposto e restante no asfalto, como um resto de feira reluzente.

- Adaptado de Tati Bernardi- 

domingo, 8 de abril de 2012

Impedimento




Eu rezo todas as noites pra Deus iluminar aqueles a quem eu amo e rezo por um mundo melhor. Não vou ser hipócrita, não rezo por quem eu não gosto. Não desejo mal, mas também não oro por eles. Mas por você... Você é quase que o tema central das minhas orações. ‘Deus, ilumine-o, proteja-o e mantenha-o feliz de preferência perto de mim e se não for perto de mim que passe a ser. Quanto à minha família, proteja-os, o Senhor sabe quanto os amo, mas não se esqueça sequer por um minuto dele’. Deus deve estar cansado de tanta proteção, pois já deve ter uma tropa de choque no céu destinada à sua proteção, e eu me pergunto. Porque ainda assim, em meio a tantos pedidos diretamente a Deus, você chora? Porque você ainda fica triste? Porque ainda sofre? Vou ter que aumentar meus pedidos, poxinha. Não quero e não posso aceitar que o bem mais precioso que conquistei na vida esteja triste. Sim, o bem mais precioso. Afinal, se eu não o amasse tanto, não teria entregado meu coração em suas mãos sem proteção blindada. Em meio à torcida do Corinthians pra você jogar pro alto, chutar e fazer gol de placa como se fosse uma bola surrada. Não que você brinque com ele, mas é meio como se você ‘deixasse rolar’ demais, sabe? E eu fico aqui, esperando a hora do gol, a hora em que você o pegará nas mãos aguardando o próximo lance até que se aproximem os 45min do segundo tempo, até que o jogo termine.