Se alguém me lê, é por conta própria e auto-risco..

sábado, 15 de janeiro de 2011

O ultimo - Tati Bernardi




Eu me descubro ainda mais feliz a cada pedaço seu e de tudo o que é seu. Eu amo tanto o seu banheiro com as combinações em verde e a chuva fina do chuveiro, que chorei essa manhã enquanto você tomava taffman-e e ouvia música eletrônica. Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer. Eu queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre? Eu descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade, eu descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser muito corajosa, eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando sentada num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora. E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam. Quando a gente foi ver o pôr-do-sol na Praça pôr-do-sol, eu, você e a Lolita, a minha cachorrinha mala, e a gente ficou abraçado, e a gente se achou brega demais, e a gente morreu de rir, eu senti um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais. Eu olhei para você com aquela sua jaqueta que te deixa com tanta cara de homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a melhor mulher do mundo. E eu tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do mundo, aprender a cozinhar, arrumar seu quarto, escrever um livro, ser mãe. E aí eu só olhei pra bem longe, muito além daquele Sol, e todo o meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia. Eu te engoli e você é tão grande pra mim que eu dedico cada segundo do meu dia em te digerir. E eu não tenho mais fome, e eu tenho que ter fome porque eu não quero você namorando uma magrela. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e falei que eu estava muito magrela, e você me mandou dormir mais, e me abraçou. Eu preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo. E eu tento, ainda refém de algumas células rodriguianas que vez ou outra me invadem, tentar achar defeito na gente, tentar estragar tudo com alguma sujeira. Mas você me deu preguiça da velha tática de fuga, você me fez dormir um cd inteiro na rede e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul. Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não esteja fazendo nada. Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado. Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus emails, eu matei meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque você me transformou numa menina cor-de-rosa. Você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. Você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados, tirou as pedras da minha mão. Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero como meu ponto final.

Não gosto!



Eu não gosto de muitas coisas, muitas mesmo. Não gosto de acordar em dias de chuva, não gosto de acordar com gente gritando, não gosto de acordar quase nunca, e nem de gente gritando nunca. Não gosto de cozinhar, alias não tenho nem uma vênula pra isso. Não gosto de gente impaciente. Não gosto de visitas inesperadas. Não gosto muito de visistas quase nunca. Não gosto de falar ao telefone, aliás normalmente tenho uma preguiça carnal de falar. Não gosto de muitos barulhos diferentes ao mesmo tempo, mesmo que alguns deles sejam agradáveis. Não gosto de homens com pêlos na nuca. Não gosto de cheiro de cigarro e nem de cheiro de cebola fritando com coloral. Não gosto de algumas roupas, mesmo que estejam na moda. Não gosto de funk! Não gosto de gente que tenta me convencer que tenho que pensar de um jeito ou de outro (eu tenho meu cérebro funcionando perfeitamente, thanks). Não gosto de trabalhar, não gosto de muitas coisas que eu como. Não gosto de trident de menta. Não gosto de ser paquerdada e odeio ser chamada de gostosa por qualquer um. Não gosto de festa de familia e nem de tias fofoqueiras. Na verdade não gosto de gente fofoqueira. Não gosto de muitos dos papos que as pessoas querem comigo. Não gosto de bioestatistica. Não gosto de gente que se acha melhor, maior, mais importante, mais especial ou mais poderosa que os outros. Não gosto de gente que briga por comida tendo a geladeira cheia. Não gosto das minhas roupas. Não gosto de gente que berra ao telefone. Odeio lavar louça. Não gosto de toalhas, e nem de meias molhadas. Não gosto de tecidos crus. Não gosto do tom nude. Não gosto de sair domingo à noite. Eu já disse que não gosto de quem quer me dizer o que pensar? Não gosto de mãe que responde as coisas pelos filhos. Não gosto de gente sem educação. Não gosto de fibras no meio da carne. Não gosto de chocolate meio amargo. Não gosto de desculpas falsas. Não gosto de gente falsa. Não gosto de quem fala comigo mesmo não gostando de mim. Não gosto de queijo. Não gosto de leite. Não gosto de garrafinha de água se ela tiver sido usada mais de 3 dias seguidos, e se ficar muito sem usar fico com nojinho. Não gosto de filmes de guerra e nem de monstros gigantes. Não gosto de muitas coisas, e não gosto de alguns trejeitos meus. Mas gosto de você, e pra mim basta!